Acusado de matar empresário do ramo de camarão no litoral do RN vai a júri popular

G1RN - Alexandre Alter Wainberg, que também era biólogo marinho, tinha 54 anos. Ele foi morto a facadas em julho de 2015 em uma fazenda de camarão de sua propriedade, em Tibau do Sul.

Foi sentenciado a júri popular, em data ainda a ser marcada, o homem acusado de matar a facadas o biólogo marinho e empresário do ramo de camarão Alexandre Alter Wainberg, de 54 anos – crime ocorrido no dia 30 de julho de 2015 em Tibau do Sul, no litoral potiguar.

O carcinicultor ainda foi socorrido, mas morreu a caminho do hospital. O réu é Leonardo de Melo Barros, que trabalhava em uma fazenda de criação de camarão e ostras que pertencia ao empresário.

Alexandre Wainberg tinha 54 anos — Foto: Arquivo Pessoal

Alexandre Wainberg tinha 54 anos — Foto: Arquivo Pessoal

O advogado Flaviano Gama, que vai atuar no júri como assistente de acusação, disse ao G1 o que espera deste julgamento: “Que a justiça se manifeste em sua essência, impondo uma condenação no mesmo nível e proporção a crueldade e frieza com que o crime foi praticado”.

Não me arrependo

Leonardo Barros foi preso no dia 15 de agosto de 2016 em Fortaleza, no Ceará, e disse na ocasião que não estava arrependido de ter matado o empresário.

“É o tipo da coisa, quando você faz uma coisa não adianta você ficar choramingando ou ficar arrependido. Para quê? Você não já fez? Então segura a onda. Eu não me arrependo”, disse o acusado.

Ainda sobre o crime, Leonardo tentou justificar as facadas que deu no chefe dele, alegando que o empresário o desrespeitou. “O que aconteceu foi que desde que eu o conheci, ele era um cara que nunca respeitou ninguém. Ele se achava o dono do mundo, era o que ele falasse e pronto. Desde que eu comecei a trabalhar com ele que eu vi ele humilhar do mais novo ao mais velho. Gente com a idade dele que ele humilhava. E pelo fato da galera ser pai de família, com filhos pequenos, ficavam ali sujeitos aquelas humilhações. No meu caso, como sou novo, não tinha filho pequeno para criar, aconteceu o que aconteceu. Ele chegou para me gritar, o sangue ferveu na hora e eu acabei fazendo”, disse.

Wainberg morreu enquanto era levado para o hospital por outros funcionários. Já Leonardo, fugiu enquanto o empresário era socorrido.

Na capital cearense, Leonardo disse que trabalhou vendendo CDs e realizando algumas tarefas temporárias. Ele chegou a mudar de aparência, mas disse que não se surpreendeu com a chegada da polícia, já que espera que a justiça fosse feita.

“Quem faz uma coisa, um dia paga. De um jeito ou de outro”, afirmou Leonardo.

Pioneirismo

Alexandre Wainberg nasceu no Rio de Janeiro. Graduado em Biologia Marinha pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1986, concluiu mestrado em Bioecologia Aquática pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 1998. Dono da Primar, fazenda localizada no Sítio São Felix, em Tibau do Sul, ele se tornou referência no país ao ser pioneiro no cultivo de camarões e ostras orgânicas. O método consiste na reprodução de um ambiente semelhante ao habitat natural das espécies, sem a aplicação de produtos químicos, pesticidas, transgênicos, antibióticos e hormônios. Este tipo de criação, segundo o próprio biólogo, reduz o stress do animal, proporciona um crescimento de forma saudável, aumenta a sobrevivência e minimiza a ocorrência de doenças.

Alexandre Wainberg foi morto em um sítio no município de Tibau do Sul — Foto: Arquivo Pessoal

Alexandre Wainberg foi morto em um sítio no município de Tibau do Sul — Foto: Arquivo Pessoal