Falsa enfermeira usou documento falso para conseguir emprego, diz PF

A cuidadora de idosos investigada por suposta vacinação de empresários contra covid-19 em garagem de empresa de ônibus em Belo Horizonte trabalhou como técnica em enfermagem em clínica do Rio de Janeiro e usou documento falso para conseguir o cargo, conforme investigação da Polícia Federal. A mulher não tem formação profissional na área. A corporação apura se houve aplicação de imunizante falso e também quem está por trás do esquema.

A partir de novas apurações, a PF descobriu ainda que a cuidadora de idosos atuava com “atendimentos” para suposta vacinação em BH desde fevereiro, e não a partir de março, como apontado inicialmente. A PF identificou também que, antes de começar a oferecer o que seriam vacinas para covid, como no caso dos empresários da garagem de ônibus, a falsa enfermeira aplicou na capital mineira o que afirmava ser vacinas contra H1N1 (gripe) e pneumonia.

Não há qualquer comprovação, até agora, de que alguma das vacinas seja verdadeira. Em uma das diligências durante as investigações, a PF encontrou na casa da falsa enfermeira soro fisiológico, que a corporação acredita ser o que a mulher aplicava em seus clientes, e caixas de vacina para gripe.

Conforme a PF, todas as embalagens estavam vazias. A suspeita é de que as caixas tenham sido guardadas pela cuidadora de idosos por causa do trabalho que chegou a exercer na clínica do Rio, e que seriam utilizadas apenas como parte do “teatro” armado pela cuidadorapara conseguir manter o golpe por tanto tempo na capital mineira.

A vacinação da gripe ocorre anualmente, com imunizante diferente, pela mutação do vírus. A cepa para qual é feita a vacina de 2020, por exemplo, não é a mesma do imunizante a ser aplicado em 2021. Conforme informações do Ministério da Saúde, a vacinação contra gripe este ano começa na próxima segunda-feira, 12.

A zona sul de Belo Horizonte, que concentra a maior parte da classe média alta da capital, é onde a falsa enfermeira mais teria atuado, tanto com as supostas vacinas para covid-19 como para gripe e pneumonia.

Ao mesmo tempo em que apura o período do golpe, e obtém informações de que a cuidadora de idosos também oferecia supostos imunizantes para outras doenças, a PF investiga se outra pessoa, que não a falsa enfermeira, possa ter arquitetado o esquema. A suspeita surgiu a partir do depoimento da mulher.

A cuidadora chegou a ser presa no dia 30, mas foi solta no sábado, 2, por habeas corpus. A atuação da falsa enfermeira em BH foi revelada pela revista piauí, em reportagem de 24 de março. Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros na garagem da empresa, que fica no bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte.

Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação na empresa ocorreu na segunda-feira, 22, e na terça-feira, 23. Pelo menos 80 pessoas no local passaram pelo procedimento. Funcionários informaram à reportagem do Estadão que a empresa faz parte do grupo de transporte Saritur, um dos maiores de Minas. Segundo a revista piauí, cada pessoa que contratava os serviços da falsa enfermeira pagava R$ 600 por duas doses da vacina contra covid.

ESTADÃO