Fotografias retratam como as facções mudaram a vida em distrito de Jardim do Seridó

PORTAL NO AR - Fotos de 2013 e 2017 revelam transformação do povoado e do povo, antes sobreviventes da escassez de chuvas

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É através da fotografia documental ou o fotojornalismo que conseguimos levar para o mundo histórias e fatos que retratam o cotidiano de forma, muitas vezes, cruas, sejam em guerra, protestos, seca, fome ou problemas econômicos. A fotografia tem a força visual que acrescenta ao ler o sentir, através da imagem. E neste texto quero juntar os dois, para contar esta história.

Em 2013, quando fui cumprir uma pauta para cobrir as consequências da seca no RN, o que encontrei no distrito Caatinga Grande, município de Jardim do Seridó,  foram moradores desocupados debruçados em suas janelas ou sentados nas calçadas, para amenizar o forte calor. Pelas ruas de areia, carroças puxadas por bois transportavam xique-xique ou capim. Encontrei por lá também galpões escuros que, entre outras coisas, eram usados para queima do xique-xique, e fotografei, em um deles, um sertanejo moendo a planta, para dar ao gado de comer. Timidamente e com os olhos cheios de lágrimas, ele me disse que era a última alternativa, para não ver os animais morrerem de fome.

Nesse mesmo ano, o Pró-Sertão chegou a essa região, trazendo nova perspectiva de vida para os sertanejos sofridos com a falta de chuvas e sem empregos. Aos poucos, aqueles galpões escuros, que eram utilizados para armazenamento de insumos agrícolas e máquinas para moer o xique-xique, foram iluminados e receberam máquinas de costura para dar lugar às facções.

Quatro depois, coincidentemente fui pautado para voltar ao mesmo lugar, mas não mais para cobrir os efeitos da seca, e sim para registrar o que mudou com as facções. Para minha surpresa, reencontrei o distrito da Caatinga Grande com mercadinho, ruas pavimentadas e a população trabalhando e gerando renda. O mais incrível foi ver nos rostos dos moradores a dignidade estampada e a felicidade de poder tirar o sustento a partir do trabalho.

Os velhos galpões se transformaram em espaços climatizados, com estrutura para acolher as costureiras e costureiros que ali trabalham, produzindo, junto com peças de roupas,  dignidade, autoestima, felicidade, respeito e, o mais importante, sem precisar abandonar suas raízes.

E como dito no começo desse texto, deixo aqui as fotografias que confirmam minhas palavras, mostrando o antes, em 2013, e o depois, em 2017. Uma história que registrei em instantâneos de realidades num salto temporal, da escassez à prosperidade, que consolida a afirmação de que “o trabalho dignifica o homem”.

Antes (2013) – Foto: Ney Douglas

Depois (2017) – Foto: Ney Douglas

Antes (2013) – Foto: Ney Douglas

Depois (2017)  – Foto: Ney Douglas

Antes (2013)  – Foto: Ney Douglas

Depois (2017)  – Foto: Ney Douglas

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