MEMBRO DO PCC SENTA NO BANCO DOS RÉUS POR TENTAR MATAR DOIS PMS EM MOSSORÓ

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O agricultor Jefferson Max de Oliveira, de 26 anos, que se diz membro do Primeiro Comando da Capital em depoimento a polícia, será julgado nesta quinta-feira, 23, pelo Tribunal do Júri Popular, por tentar matar os policiais militares Benjamim Gestemane e Luciano Holanda Fernandes, não tendo alcançado o intuito porque a arma que usava falou (bateu catolé).

O outro suspeito deste crime que também foi preso na mesma ocasião pelos policiais militares é o servente Davi Targino de Oliveira, de 20 anos. Entretanto, Davi não foi pronunciado para julgamento. Ele não estava com o Jefferson Max e sim estava passando perto. Ficou preso e foi processado porque estava portando um celular roubado.
A tentativa de homicídio contra os policiais na versão do Ministério Público Estadual.

“No dia 10 de fevereiro de 2017, por volta das 17h30min, nas imediações da Favela do Fio, nesta urbe, o denunciado JEFFERSON MAX DE OLIVEIRA portava arma de fogo e munições de uso permitido adquiridas em momento anterior, sem autorização e em desacordo com determinação legal, ocasião na qual, agindo com animus necandi, e para assegurar a impunidade em relação ao porte ilegal de arma de fogo e munições, desferiu dois tiros contra os Policiais Militares SD/PM GESTEMANE e CB/PM HOLANDA, não logrando êxito na ação em razão da arma ter falhado (batido catolé)”.

Para entender melhor como aconteceu o caso, veja o depoimento das vítimas, testemunhas e acusados.

Depoimento de Benjamin Getsemane:
[MP]: Como foi essa ocorrência lá que você participou?
[Declarante]: Nos encontrávamos em patrulhamento normal, quando decidimos fazer um patrulhamento na Favela do Fio, adentrando lá observamos que uns elementos correu pro interior da favela, foi quando decidimos fazer um patrulhamento a pé com o apoio de outra viatura, eu e o SD Holanda, se deslocamos pelo um beco que é mais largo dentro da viatura, enquanto o SD Nojosa e o Cabo Segundo foram pelo o outro lado da favela. Quando chegou em uma determinada residência que já é de costume ficar uns elementos lá, quando a gente chegou em frente que estávamos olhando pra frente da residência, vimos um elemento apontando a arma pra gente no beco e correndo, foi quando a gente começou a gritar “para, para” e ele não parou, só que lá na frente os meninos conseguiram interceptar eles.
[MP]: Ele chegou a efetuar disparos?
[Declarante]: A gente viu, eu vi ele apontando a arma pra gente. No que tava apontando a arma, no gesto que ele fazia a gente imaginava que ele estava atirando e correndo na outra direção em sentindo contrário a gente.
[MP]: Vocês apreenderam a arma?
[Declarante]: Prendemos.
[MP]: Tinha munição deflagrada?
[Declarante]: Tinha. Tinha duas munições com marcas de picote.
[MP]: Você já conhecia essa pessoa que foi presa?
[Declarante]: Não.
[MP]: Aí quem atirou foi o Jefferson?
[Declarante]: É, quem se encontrava com a arma era ele.

(…) 2) Depoimento de Charles Cunha Nojosa
[MP]: Como foi lá?
[Testemunha]: A princípio a gente vinha em patrulhamento próximo ao campo na Favela do Fio, tinha um grupo de pessoas que quando viu a viatura aí correram pra dentro do beco, aí vinha duas viatura, a gente parou antes, aí uma viatura foi até o beco e a minha foi andando por dentro das vielas da favela. A gente parou na esquina onde a gente imaginava que o pessoal tinha parado (…), quando eu me posicionei por trás da casa, foi a hora que o rapaz começou a correr, quando ele correu pra cima da gente ele já vinha com arma na mão. Eu escutei o grito da guarnição mandando parar e ele veio correndo, dobrou o beco e já veio em nossa direção, já com a arma na mão. A gente mandou soltar a arma, ele não soltou, passou correndo do nosso lado, aí o cabo segundo efetuou um disparo por que ele estava com a arma na mão, ele correu dobrou a esquina e se deitou no chão. Ele vinha também com um saco plástico na mão e na hora tentou se livrar.
[MP]: Esse material vocês verificaram depois o que tinha?
[Testemunha]: Verificamos, se eu não me engano tinha uma pequena quantidade de droga. (…)
[MP]: Ele atirou em direção a quem?
[Testemunha]: Nessa hora eu não vi, foi contra a outra guarnição.

(…) 3) Depoimento Testemunha José Herculano Segundo
[MP]: Como foi lá?
[Testemunha]: A gente estava de serviço, aí a gente entrou na favela né, Getsemane entrou por um lado e eu e o Cabo Nojosa entramos por outro, em outra viela lá. Aí quando a gente tava aguardando né, vendo como estava as coisas lá, aí foi quando saiu três camaradas correndo, aí a gente gritou “polícia”, ele soltou a arma e saiu correndo, aí eu peguei a arma e o Cabo pegou ele assim uns vinte metros de onde foi pego a arma.
[MP]: Essa arma, Getsemane disse se foi acionada o gatilho?
[Testemunha]: Não, perguntei nada a ele não.
[MP]: Essa arma quem pegou?
[Testemunha]: Eu quem peguei. Ele soltou no chão aí peguei.
[MP]: Essa arma tava municiado?
[Testemunha]: Sim senhor e tava batido.
[MP]: Tinha duas picotadas né?
[Testemunha]: Positivo.
[MP]: Você já conhecia os camaradas?
[Testemunha]: Não senhor.
[Defesa]: Ele tentou atirar contra alguém?
[Testemunha]: Contra minha pessoa não.
[Defesa]: Mas o senhor ouviu falar se tentou contra mais alguém?
[Testemunha]: Contra os outros dois policiais que estavam do lado.

(…) 4) Interrogatório Acusado Jefferson Max Oliveira
[Juiz]: Nesse dia aqui o senhor portava alguma arma?
[Acusado]: A arma estava no concerto, eu tinha ido pegar lá. Em nenhum momento eu atirar contra policial, até por que eu tenho uma filha pra criar de nove meses, tenho meu emprego.
[Juiz]: E a arma era pra que?
[Acusado]: A arma é por conta que eu já tenho inimigos por causa da morte do meu pai, que mataram ele. Mas não era com intenção de prejudicar ninguém.
[Juiz]: Conte aí como foi lá nesse dia.
[Acusado]: Nessa época eu tava saindo do trabalho, aí tava indo lá na minha tia, que ele mora lá na favela, aí quando eu vi os policiais eu corri.
[Juiz]: Tava onde a arma?
[Acusado]: Tava na cintura, em nenhum momento eu cheguei a tirar ela da cintura. Quando eu vi que era policia mesmo eu peguei e me deitei no chão.
[Juiz]: Teve algum disparo nesse dia? [Acusado]: Não, teve não. Teve por parte dos policiais que atiraram lá nesse dia. (…)
[MP]: Você conhecia esse policial que efetuou a prisão?
[Acusado]: Conhecia não. (…)
[Juiz]: Você lá na delegacia teria dito que era do PCC.
[Acusado]: Eu não disse que era do PCC não, eu disse isso porque tem cara lá, que é do sindicato que participou da morte do meu pai, aí eu não queria ir pro outro lado, mas eu não pertenço a facção não.
[Defesa]: Essas balas picotadas o senhor sabe informar porque estavam assim?
[Acusado]: Ela estava lá no concerto, do jeito que e recebi eu nem mexi não, não tinha nem olhado nela. Nenhum momento eu tirei ela da cintura não. (…)

O júri
O julgamento, sob a presidência do juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros deve começar nesta quinta-feira, 23, às 8h30. Estando todas as partes presentes, deve terminar por volta de meio dia, quando o magistrado, de pose do que foi decidido pelo Conselho de Sentença, aplica a pena ao réu, que seja de absolvição ou de condenação.

Outra tentativa de homicídio
Ja na prisão, a policia descobriu que Jefferson Max de Oliveira havia cometido outra tentativa de homicidio e que ainda não havia sido prescrita. Segundo consta na denúncia do MPRN: “No dia 25/10/2011 por volta das 12:00 horas, na Rua Nilo Peçanha, em frente a casa Nº 973, Bairro Bom Jardim, próximo ao posto de lavagem Vitória, Mossoró-RN, o denunciado Jefferson Max de Oliveira, conhecido por “Alemax”, com a participação de Geilson Jefferson Cabral da Silva, conhecido por “Manoel”, o qual auxiliou aquele fornecendo a arma utilizada na prática do crime, por motivo torpe, tentou assassinar a vítima Maximiliano Medeiros Gurgel, porém não consumou o crime por razões alheias à sua vontade”.

MH