MP pede providências após suposta tentativa de chantagem por dono do site JURINEWS contra empresa de placas do Mercosul

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Aberto em meados de janeiro deste um ano, o inquérito civil em que o Ministério Público do Rio Grande apura a legalidade da implantação do serviço de padronização de placas do Mercosul tem um episódio que chama a atenção.

Em recente despacho, a promotoria que cuida do caso das placas pede encaminhamento, para a Coordenação das Promotorias Criminais de Natal, de um documento cheio de prints de conversas do WhatsApp, para que se verifique a gravidade de uma denúncia de possível cometimento de crime de extorsão.

De acordo com o que está documentado, o jornalista João Ferreira, teria usado seu site, o Jurinews, para promover uma suposta tentativa de chantagem contra Francisco Gustavo de Araújo, marido da dona da empresa Autoplac, Vanise de Brito Santos. A Autoplac foi uma das que conseguiu se credenciar junto ao Detran para participar do serviço de placas.

O interesse de João Ferreira na história tem relação com vínculos familiares. Sua sogra, Maria Gorete da Silva, tem uma empresa, a RGN Placas, que não conseguiu capacidade técnica para entrar no novo serviço em dezembro do ano passado. Ela conseguiu agora uma liminar para participar do serviço, mas o Detran está recorrendo.

Conversas

As conversas entre ambos João e Gustavo se iniciam em 11 de dezembro de 2018, quando João Ferreira avisa a Gustavo que precisa falar com ele em razão de uma informação importante.

Gustavo explica que está aflito porque a empresa da esposa está correndo com os últimos detalhes para atender às exigências do Detran. Então, João Ferreira lança nome do procurador-geral de Justiça.

“Ontem encontrei com o procurador-geral de Justiça do MPRN e o mesmo me disse que o processo está sendo investigado”, diz João, que na sequência critica o Ministério Público ao dizer que há excessos.

Não é praxe do chefe do Ministério Público falar sobre investigações que não são suas. A conversa em que usa o nome do PGJ se deu um mês antes do inquérito civil do caso ser aberto.

Em resposta, Gustavo diz que é bom mesmo que investiguem. Diante da surpresa de João, ele explica: “Se existe ilegalidade na condução do processo de credenciamento, o MP tem o dever de agir”.

As conversas entre ambos prosseguem no sentido comercial e em tom amistoso. João Ferreira demonstra preocupação porque a empresa de sua sogra não conseguiu àquela altura o credenciamento. Ele pede a ajuda de Gustavo para que a empresa da sogra obtenha a capacidade técnica de que precisa. A conversa permanece neste tom até 14 de janeiro de 2019.

Extorsão?

Foi a partir desta data que João Muda o tom. Ele diz que empresa da sogra acumula prejuío e manda uma mensagem para Gustavo exigindo R$ 30 mil para o pagamento de rescisões e contas vencidas, mais R$ 30 mil de pró-labore; o reaproveitamento de um funcionário da loja; a compra de equipamentos novos através de empréstimo contraído no valor de R$ 26 mil e o pagamento de R$ 4 mil por mês para o uso da loja da sogra.

Como Gustavo não cede, três dias depois, ele retoma o contato dizendo que está começando a agir.

O que se segue na conversa são prints de matérias que ele publicou no site Jurinews. A primeira delas diz que o Detran criou monopólio de empresas para atuarem no serviço das placas do Mercosul. A segunda diz que o grupo de combate ao crime organizado do MP investiga o caso.

    

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