Possibilidade de fazer política sem corromper a democracia é o maior trunfo de Bolsonaro

Possibilidade de fazer política sem corromper a democracia é o maior trunfo de Bolsonaro

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Presidente Jair Bolsonaro durante ato de consagração do Brasil a Jesus Crsito po Meio do Imaculado de Maria, no Palácio do Planalto. A imagem foi ao Palácio do Planalto. Brasilia, 21-05-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Vivemos dias difíceis. Jair Bolsonaro dedica-se a enfrentar sua tropa digital, uma direita maluca que sonha em fechar o Congresso e o STF. Ideia fascista.

Prepotentes, esses bolsonaristas radicais segregam quem não compartilha suas teses infantis. Chega a ser engraçado: os novos salvadores da Pátria supõem pelo Twitter comandar um país. É muita “viajação”.

Ferinos, espalham discórdias entre generais, parlamentares e formadores de opinião. Agem na rede como se somente a eles Bolsonaro devesse sua vitória eleitoral. Esse é o ponto.

Vamos recapitular. É comum dizer que Jair Bolsonaro venceu contra tudo e contra todos. Faz certo sentido: ele não tinha estrutura partidária, nem dinheiro, nem tempo de TV, nem apoios políticos.

Ninguém, todavia, vence sozinho. Pelo menos 8 razões o levaram ao Planalto:

A falência do sistema político construído após 1988, desmoralizado pelo clientelismo e pela falsidade moral;

A Operação Lava Jato, que atacou o cerne da corrupção sistêmica, instalada no poder pela quadrilha da aliança PT/PMDB;

A rejeição ao PT e o temor do retorno de Lula e sua malandragem ao governo;

O sentimento de insegurança pública existente na sociedade, causada pelo despreparo do Estado no combate à criminalidade.

Segmentos religiosos, evangélicos especialmente, reagindo contra a desagregação da família e dos costumes cristãos;

Movimento do agronegócio no interior do país, em defesa da produção e da segurança jurídica no campo;

Estratégia de marketing digital, capaz de superar deficiências da campanha eleitoral via mídia tradicional;

O ativismo da militância de direita, incluindo desde liberais até grupos fascistas, contrapostos à “esquerdização” da sociedade;

Fica fácil perceber que esse último fator, embora importante, não prepondera sobre os demais. Uma coalizão de interesses e uma avalanche de emoções explicam a vitória de Bolsonaro.

Mas aqueles militantes digitais não pensam assim. E desataram a patrulhar o próprio Bolsonaro e sua equipe, tencionando impedir negociações com o Congresso a favor da reforma da Previdência. Negociar, para eles, significa capitular à podridão.

Não necessariamente e nem sempre. Essa possibilidade, de fazer política sem corromper a democracia, é exatamente o maior trunfo de Bolsonaro. É agora que ele precisa mostrar seu valor, revigorando a República, jamais aniquilando-a.
Por certo, haverá custos. Paciência. Fazem parte do jogo democrático. Importa que prevaleça a decência.

Xico Graziano

Xico Graziano, 65, é engenheiro agrônomo e doutor em Administração. Foi deputado federal pelo PSDB e integrou o governo de São Paulo. É professor de MBA da FGV e sócio-diretor da e-PoliticsGraziano. O articulista escreve para o Poder360 semanalmente, às quartas-feiras.

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