Rogério Marinho diverge de Guedes e defende ampliação de gastos públicos

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, é hoje o principal contraponto no governo ao discurso de austeridade fiscal do titular da pasta da Economia, Paulo Guedes.

Junto com parte dos militares e de ministros próximos ao presidente Jair Bolsonaro, ele tem defendido a ampliação de gastos públicos para acelerar a recuperação da economia.

O ministro advoga, em especial, por investimentos em infraestrutura básica nas regiões Norte e Nordeste, onde o presidente busca ampliar sua base eleitoral de olho na campanha de reeleição em 2022. E cita projetos de acesso a água, como a transposição do Rio São Francisco.

Em entrevista aO GLOBO, o ministro foi questionado se aumentar o gasto em obras nesse momento não pode passar uma imagem ruim do país para os investidores. Ele deu a seguinte resposta: “O Brasil vai ter um déficit de R$ 800 bilhões neste ano. Estamos falando de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões de acréscimo no fiscal. Parece que temos uma faca cravada no olho e estamos preocupados com o cisco”.

Os sinais de pressão no governo por mais gastos se multiplicaram nesta semana, com a elaboração de uma consulta ao Tribunal de Contas da União em busca de uma folga orçamentária de R$ 10 bilhões para obras e as declarações do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao GLOBO de que Guedes terá “que arrumar um dinheirinho” para dar continuidade a obras com impacto social e na infraestrutura.

Em entrevista ao GLOBO, Marinho admite divergências com Guedes desde o esboço do plano Pró-Brasil, com investimentos públicos em projetos de infraestrutura, que apoiou junto ao ministro da Casa Civil, Braga Neto, e que enfrentou forte resistência da equipe econômica. Mas diz achar saudável debate de ideias distintas no governo.

O GLOBO